Domingo passado fomos até Albufeira, ao EMA para visitar a III Grande Mostra de Vinhos de Portugal, organizado pela Confraria Bacchus de Albufeira.
Paguei €3,00 pelo copo, e dei uma volta de reconhecimento ao espaço da mostra.
Os produtores eram variados e interessantes.
Sabia que o tempo era limitado para a visita e as duvidas instalavam-se.
Visitar todos os produtores (praticamente cinco dezenas) rapidamente ou seleccionar alguns de um modo quase que aleatório?
Se não os visitei a todos foi porque é impossível faze-lo com qualidade.
Deveria ter conseguido efectuar duas visitas, mas tal não foi possível.

Iniciei a volta pela Quinta do Francês, Odelouca, Algarve.
Na companhia do enólogo António Narciso, que estava lá com a Quinta da Fata.
Gostei do Encostas de Odelouca Rosé, resultado de um blend de Trincadeira, Aragonez e Cabernet-Sauvignon. Com Frutos vermelhos e armonioso o suficiente.
De seguida, Quinta da Penina, Penina, Algarve.
Provámos o Foral de Portimão Petit Verdot, boa madeira com notas a amora. Do Foral de Portimão Reserva, gostei das notas a baunilha.

Rumamos até à Quinta da Vinha, Silves, onde reencontrei o produtor José Manuel Cabrita. Provamos o Cabrita Rosé 2009, Touriga-Nacional e Trincadeira um Rosé de perfil clássico.
O Cabrita Tinto de 2008 com Touriga-Nacional, Aragonez e Trincadeira, é um vinho intenso.

O seguinte produtor foi Guillaume Leroux, do Monte da Casteleja, Lagos. Um vigneron com gosto marcado pelos vinhos de Bordéus.
Que me explicou quer os seus vinhos o mais naturais possíveis, serão aquilo que a casta tiver para dar.
O Monte da Casteleja 2007, é a combinação de Bastardo e Alfrocheiro, um vinho elegante com aromas a compota e anis.
O Monte da Casteleja Maria Selection, para além de Bastardo e Alfrocheiro tem também Alicante-Bouschet, um vinho rico e intenso, com notas a café e a figos secos.
O Rosé têm inspiração nos Rosés de Bordéus.

Na continuação fui provar um dos Espumantes da Bairrada que aprecio, o Marquês de Marialva Bical Bruto Reserva da Adega Cooperativa de Cantanhede.
Estavam todos encantados por o Marques de Marialva Baga Bruto de 2008, ter obtido a medalha de ouro no Berliner Wein Trophy na edição de decorreu em Fevereiro de 2011.
Quem não fica, quando o nosso trabalho é reconhecido.

A próxima paragem seria na Herdade da Calada, um produtor da região do Alentejo, onde provei um dos melhores Rosés da tarde, um 100% Aragonês com um aroma a muita fruta vermelha e em boca cerejas doces.
O Block nº 3 2007 é o topo de gama dos tintos deles e é o resultado de uma vindima manual, envelhecido 12 meses em barricas de carvalho Francês.
As suas castas são Touriga Nacional, Alfrocheiro e Syrah.
O resultado é um vinho equilibrado com destaque para a pimenta do Syrah. Recebeu da Decanter, nos World Wine Awards o Bronze em 2010.

Rumei até ao Douro para encontrar um projecto que me chamou à atenção pelo design distinto e irreverente.
Estou a falar da Folias de Baco com as quatro referencias Olho no Pé, um Branco, um Rosé, um Pinot Noir e um colheita tardia.
O Olho No Pé Grande Reserva 2008 tem a particularidade de ser proveniente de vinhas com mais de 70 anos, essencialmente Viosinho, Rabigato e Gouveio. Gostei da sua estrutura e untuosidade na boca.
O Olho No Pé Pinot Noir Grande Reserva 2007, mostra que o Douro têm capacidade fantásticas para produzir este tipo de casta.
O Olho no Pé Colheita Tardia, também está muito competente.

Ainda no Douro no espaço da Camara Municipal de S. João da Pesqueira, provei os vinhos de António Alfredo Lamas.
Que foi um dos brancos da tarde que assinalei no bloco de notas. O Bajancas Branco Private Selection 2008, Rabigato, Gouveio e Códega do Larinho, criam um vinho com um volume, untuosidade e mineralidade cativante.

Desvio-me para a região do Dão, para provar os vinhos da Quinta da Fata.
Vinhos clássicos, sem tiques mas com a qualidade devida. E que estão disponíveis no mercado a preços bastante acessíveis.
Os vinhos de Eurico Amaral, têm uma simplicidade tremenda mas ao mesmo tempo transmitem uma satisfação enorme.
Sem ainda não ter ido à Quinta consegue-se cheirar os Pinheiros, que sei que têm pelos seus vinhos.
O Quinta da Fata Reserva e o Quinta da Fata Touriga Nacional, são sempre agradáveis de provar.

Para terminar a tarde, nova incursão ao Douro, para a Quinta do Carrenho.
Pois claro, vinhos Dona Berta de Hernani Verdelho.
Nos brancos Dona Berta Reserva Vinha Centenária 2008, a textura, o final longo e as notas de fruta.
Nos tintos, destacar talvez o Dona Berta Grande Escolha 2007, com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinto Cão e Touriga Francesa, fazem dele um vinho com uma cor carregada, com notas de frutos vermelhos. Elegante e com boa complexidade.

Dei a tarde como muito bem empregue.
Passei a conhecer mais vinhos de Portugal e aprendi bastante.
As restantes fotografias que efectuei podem ser consultadas, aqui.