
A sessão de abertura começou ligeiramente depois da hora sem a presença do Ministro da Agricultura.
Discursaram os autarcas locais, um representante em nome do Ministro da Agricultura, o Presidente do Turismo da Serra da Estrela e o Presidente da CVR da Beira Interior.
Como é hábito, quase que se esqueceram qual era o real motivo pelo qual nos havíamos deslocado a tal digníssimo local, o vinho.
Luís Lopes, director da Revistas de Vinhos, teve como tema para a sua palestra: Vinhos da Moda.
Como conselho deu não embarcar em Modas e preferiu falar em consistência de qualidade, referindo o exemplo do Muralhas.
Nota final, aquilo em que os produtores se devem focar é em fazer bons vinhos.
Rematou dizendo que é preciso mostrar o melhor de nós mesmos.
Partilho da ideia, mas até podemos fazer moda, mas façamo-la com qualidade.
Manuel Pinheiro, Presidente da CVR Vinhos Verdes, veio mostrar-nos uma região que têm uma CVR com uma gestão bastante profissional com mais de 22000 hectares de vinha.
Sendo a 2ª região do país em termos de produção, perdendo apenas para o Alentejo, 1 em cada 3 garrafas em Portugal é de vinho Alentejano.
Não é por acaso a visibilidade que o Vinho Verde têm tido, a CVR têm tido um papel bastante importante na sua divulgação. E o seu presidente revelou-o na sua apresentação.
Seguidamente falou Dora Simões, da CVR do Alentejo, detentores de 39,8% da quota de mercado em Portugal, tendo em 2010, 303 engarrafadores.
De referir a atenção que a CVR têm dado ao enoturismo na sua região. Um exemplo para as restantes regiões.
Teve uma apresentação bastante bem conseguida, transmitindo muita confiança e organização no trabalho que desenvolvem.
Duarte Galvão e Miguel Pires, falaram da actualidade do nosso serviço de restauração, concluíram que tem vindo a melhorar, ainda bem!
O Duarte contou uma historia muito interessante de um restaurante que usava um tipo de copos nada proprio para servir o bom vinho que servia.
O dono questionado sobre tal situação confidenciou que o fazia prepositadamente para não dar um ar careiro ao restaurante com receio de afugentar os seus clientes habituais.
Temos de facto ainda um longo caminho a percorrer em termos de educação, um bom copo não melhorar a qualidade de um vinho mas pode concerteza ajudar a saborea-lo melhor. E por si só não deve fazer aumentar o preço da conta final.

Regressados do almoço, recebemos Sara Ahmed, crítica de vinhos Inglesa, bastante conhecedora da realidade Portuguesa.
Desta apresentação o importante a reter é a mensagem para os produtores e exportadores.
O trabalho que têm de ser feito, por exemplo no Reino Unido é da apresentação dos nossos vinhos num maior numero de clube de vinhos, para citar uma das coisas a fazer.
Eles continuam a olhar para o vinho Português, na generalidade como um vinho barato, com pouca qualidade e continua a ser difícil de encontra-lo.
Falta dar a conhecer melhor os vinhos de mesa Portugueses.
Será que a estratégia seguida tem sido a melhor?
João Paulo Martins, fez uma apresentação bastante competente sobre a viagem das castas Portuguesas pelo mundo.
Depois de regressados do coffee-break, acolhemos o produtor Luís Pato no palco deste congresso.
Este confidenciou que começou a fazer vinho na adega da sogra e que uma fantástica apresentação em 1984 em Londres, marcou a sua carreira para sempre.
De referir que Luís Pato é Eng. Químico.
A dica que ficou para os produtores é que ele educa para as castas Portuguesas, e fá-lo activamente em Inglaterra.
Irreverente e perspicaz Luís Pato têm marcado o mundo dos vinhos em Portugal.
Dirk Niepoort, um dos Douro Boys, veio falar sobre alguns dos projectos Niepoort.
Confidenciou que o segredo de vender lá fora para a Niepoort é a língua – o nome do vinho é essencial, tem de ser bastante bem pensado e em Inglês ou na língua materna onde o vinho é comercializado.
Bom vinho mas com o rotulo orientado para o publico.
Eles pensaram em criar qualquer coisa que chama-se o olhar, criando usa serie de histórias que o comprador iria rapidamente reconhecer como se de um livro se trata-se, assim nasce o projecto FABELHAFT, fabuloso em Português.
Criando um vinho que chama à atenção, sem defraudar o consumidor com aquilo que vai dentro da garrafa.
Carlos Sousa, da Dão Sul, veio falar do caso de sucesso que são os vinhos da Quinta de Cabriz.
Mostraram como exemplo o restaurante que serve de ancora no seu projecto de enoturismo.
Terminou a palestra dizendo que “temos de organizar mais”.
Não poderia concordar mais, acho que também no mundo dos vinhos actuamos desgarramente, salvo raras excepções.
Dispendendo assim preciosas energias e recursos.
O que dizer de Salvador Guedes, da Sogrape, terceira geração do mítico, Mateus Rosé.
Uma história de sucesso mundial, mas também um exemplo de uma marca que sobe adaptar-se aos novos tempos.
Uma referência.
Sábado 18 de Março
João Corrêa, enologo da Companhia das Quintas, iria falar um pouco sobre os vinhos da Beira Interior.
Na região produz-se 50 milhões de Kg de uva. Sendo as castas Síria e Touriga Nacional as mais expressivas na região.
Um retrato bastante pessoal, de quem chegou à Beira Interior sem ter ideia o frio que podia vir a ter!

Um dos momentos mais aguardados no congresso foi sem duvida a apresentação de Jancis Robinson.
Veio reforçar ideias que já haviam sido referenciadas, referindo a necessidade de educarmos o nosso publico e de apresentarmos a nossa comida com mais estilo e da necessidade de dispormos de embaixadores da nossa cultura espalhados pelo mundo.
Deixou a mensagem de que temos de treinar melhor os nossos profissionais para divulgar a nossa cultura.
E que devemos aproveitar a historia que os nossos vinhos têm para contar, pois são vinhos com história.
Espero que os produtores na sala, tenham compreendido estas palavras e que de uma vez por todas tentem profissionalizar cada vez mais a sua actividade, pois todos os pormenores contam.
Tim Atkin, deixou a mensagem aos produtores que devem continuar a produzir vinhos com personalidade e que tenham a capacidade de dizer de onde são.
Uma vez mais frisou a necessidade de possuirmos pessoas especializadas e capazes para falar sobre os nossos vinhos além mar. E que o temos de o fazer, para podermos vender mais unidades.
Deixou também a ideia que basear-mos as nossas vendas quase que exclusivamente nos supermercados poderá ser um grande erro.
Pois estes espaços não defendem nem valorizam os nossos vinhos convenientemente.

André Ribeirinho co-fundador do serviço Adegga apresentou esta ferramenta online, juntamente com o Avin, um ISBN para cada vinho.
Hoje a tecnologia faz parte integrante das nossas vidas e esta é uma maneira diferente e actual de comunicar.
O Adegga, o Facebook dos vinhos como já foi mencionado, dispõe de várias ferramentas para promover o vinho e é um ponto de encontro online para os seus apreciadores.

Depois de almoço, Maria João de Almeida, anfitriã do evento viria a falar da importância da comunicação no mundo dos vinhos, das novas formas de comunicação. A Internet ao serviço do mundo do vinho e o futuro dos Media.
O blogger e critico de vinhos Inglês, Jamie Goode, veio falar da importância dos websites e blogues no mundo do vinho.
António Amorim, Presidente da Corticeira Amorim, veio falar dos casos de sucesso que a marca têm alcançado e da forma inequívoca como a rolha de cortiça é uma excelente opção para a generalidade dos vinhos.
Arlindo Cunha, Presidende da CVR Dão, veio falar sobre a importância de uma região periférica para o desenvolvimento turístico em Portugal. E o papel do vinho como motor de desenvolvimento.
Vasco D’Avilez, para presidente da CVR Lisboa falou, sobre o tema do Enoturismo.
Com base num trabalho sobre o enoturismo em Portugal, aponta que temos de profissionalizar o sector o quanto antes.
22% dos locais encontram-se no Alentejo.
Eu como tenho uma maior ligação com as novas tecnologias, fiz um exercício enquanto preparava este artigo, visitem cada um dos sitios web destas entidades e constatem a dedicação e a forma como comunicam na Internet.
Esta era uma das reflexões que se podia ter no fim destes dois dias de congresso.
Gostei de ouvir exemplos de como várias empresas se juntam e comunicam as suas marcas lá fora, coisa que se vê pouco em Portugal.
Tomei maior consciencia da forma como vêm os nossos vinhos no exterior, especialmente em Inglaterra e aquilo que têm ser feito, para inverter a situação actual.
Como blogger tenho um papel activo na promoção da nossa cultura e foi esse um dos motivos principais que me fez participar neste evento.
Espero que as CVR tenham sabido aproveitar estes dois dias para afinar estrategias de promoção e que os produtores presentes tenham meditado sobre o caminho que percorreram até agora.